COLÔNIA FINLANDESA DE PENEDO/BRASIL ITATIAIA - R.J. - Travessa da fazenda nº 45 Em meio a mata atlântica, à margem do Rio das Pedras, (ao fundo o pico do Penedinho) este é o nosso pequeno Paraíso !
ATELIER & TEARES
"SUOMALAISET KANGASPUUT" TEAR FINLANDÊS "VALTONEN" 4Qd. 6Pd - MEU XODÓ. Eu mesmo o construí, com a ajuda do finlandês Niilo Valtonen, o primeiro fabricante de teares manuais do Brasil. Na época ele estava bem idoso e ja havia fechado sua pequena fábrica de teares, mas ficou muito feliz em saber que eu construiria um tear de 4 quadros e 6 pedais. Me cedeu todos os prospectos e me ajudou dando dicas para construção; E também alguns livros técnicos de tecelagem em finlandês que eu nunca entendi, mas aprendi a ler os gráficos que me ajudam até os dias de hoje.

28 de novembro de 2007

LENDO E INTERPRETANDO GRÁFICOS DE TECELAGEM ARTESANAL - SISTEMA EUROPEU

Os gráficos do sistema europeu de padronagens para tecidos de tear manual, são compostos de:

- um eixo horizontal - representa a passagem do urdume nos quadros de liços (Liçada ou Liçagem).

- um eixo vertical - representa a seqüência das pedaladas das tramas.

No vértice destes 2 eixos encontra-se a amarração dos pedais aos quadros de liços.

No centro do gráfico a visualização do padrão, gerado pelo cruzamento de todas as informações dos eixos.

Foto. 1


EIXO HORIZONTAL (Passagem nos liços)

- Contém lacunas horizontais quadriculadas (ou não), cada lacuna representa 1 quadro de liço.

- A posição de cada quadro se lê de baixo p/ cima Qd1, Qd2, Qd3, QD4, etc...

- O nº de lacunas indica o nº de quadros necessários para a confecção do padrão (na foto 1, temos 4 Qds.)

- Na colocação dos fios (x) nos liços do tear, a leitura da seqüência se faz da esq. p/ a dir (na foto 1, temos a receita básica do brim ou sarja - 1234,1234,1234,1234, etc...)


EIXO VERTICAL (Seqüência de pedaladas)

- Contém colunas verticais quadriculadas (ou não), cada coluna representa 1 pedal.

- A posição de cada pedal se lê sempre da esquerda p/ a direita Pd1, Pd2, Pd3, Pd4, etc...

- O nº de colunas indica o nº de pedais necessários para a confecção do padrão na foto 1, temos 4 pedais
- A leitura da seqüência das pedaladas se faz sempre de baixo para cima (na foto1, temos a pedalada básica do brim ou sarja - 1234,1234,1234,1234, etc...)

QUADRO DE AMARRAÇÃO DOS PEDAIS

- No vértice destes 2 eixos encontra-se um pequeno quadro quadriculado com o mesmo nº de lacunas e colunas dos eixos, e com a mesma representatividade; é um cruzamento de informações dos 2 eixos

lacunas = quadros

colunas = pedais

- Os espaços quadriculados cheios mostram como os pedais devem se prender aos quadros (na foto 1 temos: Pd1 preso aos Qds 1e2 / Pd2 preso aos Qds 2e3 / Pd3 preso aos Qds 3e4 / Pd 4 preso aos Qds 1e4)


PADRÃO OU PADRONAGEM

- no centro do gráfico encontra-se o desenho "padrão" do tecido, que é o cruzamento de todas as informações contidas nos eixos (ou vice-versa para a criação de gráficos a partir de novos desenhos). Na foto 1 - listras diagonais da textura do brim ou sarja.



POR QUE 6 PEDAIS, EM UM TEAR DE 4 QUADROS ?

Nos teares de pedal, cada ponto ou trama movimenta 2 quadros de liços simultaneamente.

- No sistema mineiro cada pedal prende-se a 1 quadro; e para movimentar os 2 quadros, pisa-se com os 2 pés simultaneamente.

- No sistema europeu cada pedal prende-se a 2 quadros, e basta pisar com 1 pé, para o mesmo movimento acontecer; o que agiliza muito, na memorização das pedaladas, na visualização do gráfico, na possibilidade de se alterar o desenho (padrão) no decorrer da confecção do tecido, além de se tecer muito mais rápido.

As possíveis combinações 2 a 2 entre os 4 quadros de liços são:

- P/ pontos de desenhos ou texturas movimentamos os Qds. - 1/2, 2/3, 3/4, 4/1

- P/ pontos tela (pano de fundo ou tafetá) os Qds. - 1/3, 2/4


Foto. 2


Na foto acima temos todas as combinações de amarração dos pedais aos quadros:

Pd1 aos Qds 1e2 / Pd2 aos Qds 2e3 / Pd3 aos Qds 3e4 / Pd4 aos Qds 1e4 / Pd5 aos Qds 1e3 / Pd6 aos Qds 2e4.


TECIDOS LISOS

- Para Tafetás, Listrados, Xadrez, Quilim, Jacard e outras técnicas usadas em tecidos lisos, usam-se apenas os 2 pedais (5 e 6) referentes aos pts.tela (veja foto.4)


TECIDOS COM TEXTURAS

- Para o Brim (ou sarja), Espinha de peixe, Fustão, olho de perdiz, técnica sueca, e várias outras técnicas de texturas, usam-se apenas os 4 pedais referentes aos desenhos (1, 2, 3 e 4)


Foto. 3


TECIDOS COM PADRONAGENS (DESENHOS)

Os tecidos com padronagens, são formados por uma base lisa, um pano de fundo, chamado de tafetá ou pt. tela (como o dos teares alemães / pente-liço).

Sobre este tafetá, em relevo, encontram-se os desenhos geométricos chamados padrões ou padronagens.

Para se tecer o tecido composto com padronagem, usam-se os 6 pedais.

Trama-se intercalando duas seqüências de pedaladas: 1 trama(pt. desenho), 1 trama(pt. tela), 1 trama(pt. desenho), 1 trama(pt. tela),... e assim o tecido vai sendo construído.


Foto. 4


OBS: como existe diferença de tamanhos entre o papel e o tecido, o gráfico do desenho na coluna das pedaladas, esta representando apenas o circulo azul c/ponto no meio e 8 pts. tela antes e 8 depois do circulo; o gráfico das liçadas está real!)


Divirtam-se ! É mais fácil que beber água .................................................................................... do mar!

Qualquer dúvida, é só perguntar!


SEGUE ABAIXO ALGUNS GRÁFICOS DE PADRONAGENS BÁSICAS PARA TEAR DE 4 QUADROS



Foto.1
Foto.2Foto.3Foto.4


OBS: Sobre a amarração dos Pedais:

- Por algum motivo inexplicável, alguns tecelões amarram os pedais aos quadros, de diversas formas; porém levando-se em conta as únicas combinações possíveis entre 4 quadros e 6 pedais, vc pode manter a amarração fixa em seu tear, e fazer uma analogia entre a amarração dos pedais dos gráficos apresentados e a sua amarração, e re-escrever uma nova seqüência de pedaladas (como nos 2 casos abaixo).

Foto.5

Foto.6Foto.7

Um comentário:

Anônimo disse...

Prezado Amigo Rodrigo “O Tecelão”

Mais uma vez você nos surpreende com seu conhecimento desse campo maravilhoso da arte da tecelagem.
De uma forma objetiva e didática você nos transmitiu claramente o método de notação utilizado pelos europeus, o qual julgo ser de muita praticidade, pois a existência da mesma deve remontar a época longínqua, onde no decorrer de seu uso teve o processo de seu burilamento.
Quero agradecer seu desprendimento em transmitir mais essa técnica e parabenizar pela alta qualidade deste seu “Blog”.
Abraços, Leocyr.